quarto aberto #2026.1
primeiro livro do ano: Quarto Aberto de Tobias Carvalho.
gosto do Tobias Carvalho tem tempos, já. o As coisas dele me foi muito importante, a temática central sendo os imbróglios da liberdade sexual do jovem gay. em Quarto aberto ele retoma esse tema (ele publicou um outro livro entre os dois supracitados, mas não li [ainda]). sinopse: Artur é um jovem gaúcho, atendente de café de livraria de dia e drag queen de noite, e mora com o namorado (aberto) Caíque. daí um contatinho marcante reaparece depois de anos. o contatinho também tem namorado, e os casais vão se misturando.
gosto muito da temática: a dificuldade prática dos relacionamentos abertos. e não sou contra relacionamento aberto, não, e acho interesse tratar de forma honestamente do bom e o ruim. porque todo tem relacionamento, independente de formato, tem coisas boas e ruins, mas especialmente em redes sociais, é impossível discutir os específicos. toda conversa sobre se esse relacionamento deu certo ou errado (o que já é paradigma ruim pra avaliar uma coisa dessas) vira uma discussão sobre se relacionamentos abertos abertos podem dar certo ou errado. qualquer discussão específica vira uma discussão geral, uma defesa de modelos.
sou da opinião de que modelos pouco importam. mas todo casal que abriu o relacionamento que eu conheço acabou terminando, você pode estar pensando. até aí, a maioria dos casais que eu e você conhecemos são monogâmicos e também terminaram, e nunca isso vira uma brecha pra discutir A monogamia (a não ser que você seja seguidor da genipapos).
(mas tentar abrir o relacionamento pra dar uma sobrevida numa relação que já faliu é realmente um clássico.)
digo tudo isso pelo seguinte: admiro muito o que esse livro tenta, mas acho que rolou um descompasso entre leitor e autor. o projeto empreendido pelo o livro e o que eu desejava após ler a contracapa.
o ponto de vista do livro é 100% fechado com o Artur, e ele faz isso e ele tenta, e consegue, mergulhar no drama e dar conta do vazio existencial desse personagem. ele cumpre o que tenta. todas as informações que temos, aprendemos quando Artur aprende. o problema: num livro sobre dois casais, um monte de coisa acontece que não entendemos, e só vamos ficar lá na frente entendendo.
entendo os motivos, e acho que o romance funciona no geral, mas tem parte de mim que não desapega da ideia da ideia de que dentro desse romance de 250pp. tem um romance de 400pp. menos formalmente careta que mergulha ainda mais nas minúcias desses relacionamentos abertos e suas complicações brincando com vozes e pontos de vista.
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